18 de Janeiro de 2021

Breve História da Bolsa



MARIA ALICE XIMENES
CEO | Bureau Moda & Mercado

Texto: Maria Alice Ximenes / Ilustrações: Evandro Modulo
Fendi Baguette

A origem da palavra bolsa vem do termo em latim bursa, pele curtida de couro, espécie de saco feito de pele de animal, usado para transportar líquido. O termo dá origem ao português antigo, borsa, mais tarde no português moderno, bolsa. Há pinturas rupestres de 40 mil anos a.C. que demonstram as primeiras representações de um acessório “porta-objetos” muito semelhantes a uma bolsa. No Egito e na Antiguidade Clássica conseguimos perceber nas representações artísticas, especialmente em vasos de cerâmica, variados “sacos” que serviam para desde carregar armas até alimento. Em Roma surge o alforje, pequeno saco no princípio usado como arma para lançar pedras, depois passa a ser preso na sela do cavalo ou usado de forma transversal no corpo. Ainda em Roma escravos que tinham o cabelo raspado, eram chamados de “mutilus”, mutilados, já que tinham perdido uma parte do corpo. Normalmente andavam muito e carregavam nas costas sacos de tecido para levar encomendas. Depois de passar pelo idioma Basco, passa a ser chamado de “mochila”. Na Idade Média surge uma bolsa presa à cintura no lado interno da roupa usada por homens e mulheres para guardar dinheiro, a algibeira. As primeiras bolsas encontradas de moda mesmo, foram as “reticules”, com uso entre os séculos XVII e XIX. Era uma pequena bolsa de mulher feita de tecidos variados com fechamento por um cordão. É no século XIX que as bolsas começam a ganhar espaço e se destacar como parte da indumentária cotidiana. As bolsas costumavam combinar com o tecido do vestido e dos sapatos. Ainda neste século surge, em 1854, Louis Vuitton, um fabricante de malas que cria modelos inovadores com fechos especiais que poderiam ser comparados a baús de tesouro. Mas a grande ideia de Louis Vuitton foi usar uma matéria prima impermeável e maleável. Ele passa a ser muito copiado em toda Europa e é neste momento que Louis Vuitton irá imprimir nos desenhos das malas suas iniciais “L” e “V”, icônica logomarca que sobrevive até hoje. Etimologicamente a palavra “malle” – mala, era proveniente do francês, geralmente levava a bagagem, da palavra bague, “baggage” do francês, que significa atado, trouxa ou fardo. Do idioma escandinavo originou a palavra “bag” em inglês. Nos anos 30 do século XX, a carteira de mão surge na cena da moda, porém, com a II Guerra Mundial, as mulheres passam a usar uma bolsa maior que pudessem carregar sobre os ombros, ficar com as mãos livres e que coubesse muita coisa, pois a levavam para o trabalho, além de usar a bicicleta como meio de transporte. Nascia a bolsa “tiracolo”. A partir da década de 60, sacolas de fotógrafo, de companhias aéreas e de compras passaram a ser usadas como bolsas. Com a onda hippie, houve uma retomada das técnicas artesanais, como crochê, tricô e patchwork. A partir dos anos 80 as grifes tomam conta da cena fashion. Nos anos 90, marcas americanas também despontam com grande força no segmento de bolsas, mas é nos anos 2000 que ocorrerá o fenômeno it bag. Ou seja, a bolsa se torna peça de desejo. Quem não lembra do primeiro filme do consagrado seriado de TV, “Sex and the City”? A personagem Carrie Bradshaw se espanta ao ver a assistente com a bolsa Louis Vuitton mais recente da estação. Maior o espanto ainda quando a mocinha diz ser alugada! Pois é, hoje há a possibilidade de alugar bolsas de luxo. Existe uma empresa chamada BoBags que aluga três segmentos: Couture, Diva e Essencials. Mas quais as bolsas mais famosas do mundo? Anote aí:
2.55 – Chanel A mais desejada do mundo é a icônica bolsa pequena de matelassê, cujo detalhe lembrava as almofadas da casa da estilista e as jaquetas de jóqueis. Com alças duplas de corretes metálicas e com fecho exibindo os 2  “C” da grife. Ganhou este nome por conta de sua data de lançamento: fevereiro de 1955. A lendária bolsa criada por Coco Chanel exibe a praticidade e ousadia de sua inventora. Numa época em que carregar bolsas nos ombros era tão incomum, Chanel defendia a elegância em ter as mãos livres.   Kelly – Hermès A grife francesa Hermès é a delicadeza em forma de acessórios, mas, quem diria, começou como uma marca de produtos de equitação – por isso o couro é material tão presente em suas peças. E o primeiro grande lançamento da maison francesa foi, sem dúvida, a bolsa Kelly, um modelo em formato de trapézio criado na década de 30 e eternizado por Grace Kelly vinte anos depois. A princesa de Mônaco era fascinada por este modelo, sendo que teve o exemplar em todas as cores. Originalmente, servia para acomodar selas de montaria e foi adaptado para Grace usar em suas viagens. A mesma fez as vendas alavancarem quando posou para a revista Life usando a sua. O sucesso foi tamanho que a Hermès rebatizou a bolsa em homenagem à diva.
Birkin – Hermès A cobiçada bolsa surgiu graças a um “ataque” da atriz Jane Birkin, em 1984. Em um voo de Paris para Londres, a diva, com dificuldades para encaixar seus pertences no bagageiro, reclamou inflamada a falta de uma bolsa prática para viagem. Jean-Louis Dumas, então presidente da Hermès, estava ao lado ouvindo tudo e projetou e lançou o modelo feito especialmente para ela alguns meses depois  
Lady Dior – Dior A singular elegância da Princesa Diana foi atribuída a Lady Dior, bolsa que foi rebatizada na década de 1990 – antes, atendia por Chouchou – em homenagem à mãe do príncipe William, fã do modelo quadradinho. A bolsa já teve como garotas-propaganda a primeira-dama francesa Carla Bruni, Marion Cotillard, Monica Bellucci e Diana Kruger.  
Speedy – Louis Vuitton A história da bolsinha Louis Vuitton que, hoje, aparece em variados tamanhos e estampas, começou apelidada em 1933 como bolsa de médico, pela semelhança no formato. Ganhou fama com Audrey Hepburn em 1965. Fã do modelo de viagem Express, a atriz pediu a Henri Louis Vuitton que criasse um modelo miudinho dele – e nasceu, então, a Speedy 25, nas dimensões 25cm X 18cm.     PS1 – Proenza Schouler O “queridinho” da nova-iorquina Proenza Shouler foi protagonista de um frisson no mundo da moda, provando seu sucesso e ascensão como objeto de desejo. A rede de fast fashion Target, que já lançou coleção em parceria com a grife, colocou à venda um modelo de bolsa parecidíssimo com o PS1, lançado em 2008. O plágio foi reclamado pela marca, gerando muitos comentários.
Jackie O. – Gucci Criada nos anos 1950 pela Gucci, caiu nas graças de Jacqueline Kennedy na década seguinte e ganhou novo nome em homenagem a ex-primeira-dama americana, que a adotou e a tornou famosa. Chamada “Hobo”, atualmente ela é conhecida como “Bouvier”.  O modelo Hobo tem características grandes e é famosa por ser espaçosa e “molenga”, ideal para o dia a dia. Além da Gucci, a Coach e a Jimmy Choo fazem o modelo Hobo.   Motorcycle – Balenciaga Lançada há dez anos, o modelo é  famoso nas mãos das celebridades tanto internacionais quanto nacionais. Disponível em variados tamanhos e cores, a Motorcyle é flexível e feita com couro de bezerro italiano Stam – Marc Jacobs A sedutora matelassada com correntes grossas foi desenvolvida pelo estilista com inspiração na modelo canadense Jessica Stam, musa pela confiança que passa ao desfilar. Símbolo das descoladas, ela pode custa até 1.800 dólares.
Alexa – Mulberry Uma it girl que se preze deve ter uma it bag incrível. Foi isso que ocorreu com a modelo e apresentadora de TV  Alexa Chung, que ganhou uma homenagem da Mulberry em forma de bolsa com seu nome. O estilo bolsa carteiro virou febre entre as “bacanas” e consagrou o sucesso de Alexa.  
Baguette – Fendi Criada em 1997, por Silvia Venturini Fendi, filha dos fundadores da marca, a baguette é até hoje uma das peças mais famosas da Fendi, criada para ser funcional para as mulheres modernas. A peça ganhou fama com a personagem Carrie Bradshall, da série Sex in the City,  que era louca pela bolsa.  
Knot- Bottega Veneta Clutch icônica da marca italiana, uma das poucas que não ostentava as logomarcas na linha de produtos. O que diferenciava as bolsas da marca é o couro trançado, que forma uma trama, muito copiada. O nome da bolsa se dá pelo nó de metal no fecho da bolsa.   Hoje uma bolsa de marca de luxo é um grande investimento e comparada a uma jóia. Fortalece a sobrevivência das grifes, pois, assim como o perfume é também força e impulsionamento rentável.
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